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Inventário de Personalidade NEO-PI-R
» Avaliação em Foco - Ferramentas em Foco
17/08/2012

Por Fernanda Ottati

Ao se falar de avaliação psicológica, é provável que um dos primeiros construtos a ser lembrado seja a personalidade.Há dados indicando que a personalidade é um dos dois construtos com maior número de publicações na área de avaliação (junto à inteligência).

 Avaliar aspectos da personalidade é uma tarefa recorrente ao psicólogo, nos mais diversos contextos. Porém, apesar da ‘popularidade’, avaliar a personalidade não se configura como uma tarefa simples. Isso pode ser justificado, em parte, pela quantidade de teorias de personalidade existentes.

Um dos desafios que profissionais e pesquisadores enfrentam é encontrar um modelo que seja capaz de identificar as dimensões básicas da personalidade, que possa ser compreendido e reconhecido nas diferentes culturas e nacionalidades. Esse desafio parece ter sido vencido com o modelo dos Cinco Grandes Fatores (Five Factor Model  - FFM)(Flores-Mendonza, 2007).

Atualmente há um consenso de que este modelo seja é o mais adequado para a avaliação da personalidade nas diferentes culturas, bem como um dos mais utilizados. A partir deste modelo foi desenvolvido o instrumento Inventário de Personalidade NEO PI Revisado (NEO-PI-R) que é um instrumento de avaliação da personalidade normal desenvolvido pelos pesquisadores norteamericanos Paul Costa e Robert McCrae a partir do ano de 1970 com objetivo de identificar as diferenças individuais na personalidade. A base do modelo é a psicologia do traço, desta forma, o instrumento pressupõe mecanismos psicológicos subjacentes ao comportamento humano que são relativamente estáveis e consistentes ao longo do seu desenvolvimento.

A primeira publicação do instrumento aconteceu em 1985 e, após revisões, uma nova versão foi publicada em 1991, ambas nos Estados Unidos. A versão brasileira do instrumento foi publicada em 2007, pela pesquisadora Carmen E. Flores-Mendoza.

Os cinco fatores de personalidade são: Abertura, Conscienciosidade, Extroversão, Amabilidade e Neuroticismo. Cada um destes fatores (ou domínios) é representado por seis facetas, totalizando um conjunto de 30, que são pontuadas individualmente.

O manual da versão brasileira traz um extenso resgate histórico sobre o desenvolvimento do modelo e instrumento. Ainda, há um capítulo que trata somente dos estudos transculturais realizados com o NEO-PI-R, no qual fica evidente o compromisso científico e ético dos autores do modelo e seus colaboradores e torna o manual uma leitura obrigatória não só para os psicólogos que irão utilizar o NEO-PI-R, mas para todos aqueles que pretendem entender como funciona um processo de adaptação de instrumento.

De forma geral, os resultados das pesquisas realizadas em diferentes países, revelam que a estrutura pentafatorial da personalidade transcende os idiomas e as variadas formas lingüísticas da fala humana. Um exemplo da adaptação transcultural é a pesquisa realizada com o NEO-PI-R em Portugal para possibilitar o seu uso no país, apresentada num dos capítulos do manual. Ademais, o NEO PI-R foi traduzido para diversos idiomas, como árabe, chinês, espanhol, alemão, francês, hebreu, japonês, norueguês, polonês e suíço entre outros.

No que se refere à adaptação brasileira, o primeiro passo foi adequar o instrumento para nossa língua. Desta forma, utilizou-se a versão portuguesa e americana para comparação e desenvolvimento da versão experimental brasileira. O NEO-PI-R foi então aplicado em uma amostra mineira, com o objetivo de verificar a sua adequabilidade linguística e propriedades psicométricas. Os achados indicaram a necessidade de reescrita de alguns itens e, após novas análises, a versão final do NEO-PI-R ficou então com 240 itens. A partir dessa versão iniciaram-se os estudos de normatização, padronização e validação do instrumento.

Para verificação das propriedades psicométricas, especificamente para validade, vários procedimentos foram utilizados, quais sejam, estrutura interna dos itens, análise fatorial, congruência fatorial entre as versões americana, portuguesa e brasileira, validade de construto (convergente-discriminante) a partir da comparação com outro instrumento (Escala de Personalidade de Comrey-CPS), validade de critério (correlações entre o teste e variáveis externas como relato de nível de religiosidade, convicção política, satisfação e auto-avaliação no trabalho, realização de trabalho voluntário, nível socioeconômico e renda). A precisão do NEO PI-R foi avaliada pela consistência interna e estabilidade. Destaca-se que todos esses procedimentos indicaram bons resultados, ou seja, a adequação do instrumento e possibilidade de uso profissional.

A normatização foi realizada com uma amostra de 1353 sujeitos, predominantemente de Minas Gerais (63,2%), seguido por São Paulo (17,9%), Santa Catarina (9,7%) e outros estados (9,2%). Embora a idade dos sujeitos tenha variado entre 16 e 74 anos, os autores indicam a utilização para idades entre 20 e 60 anos, conforme as tabelas normativas disponíveis. Em relação à escolaridade a indicação é que o sujeito tenha, no mínimo, ensino médio.

As orientações referentes à administração do NEO-PI-R são muito claras e completas, o que possibilita ao psicólogo acesso a muitas dúvidas que poderiam ocorrer numa situação de aplicação, como por exemplo, o que fazer quando precisar avaliar uma pessoa de outra nacionalidade, residente há pouco tempo no Brasil? Diante de todas essas informações, ressalta-se a facilidade de compreensão dos dados do manual, bem como o volume de informações, evidenciando a qualidade do instrumento.

 

Referência:

Flores-Mendonza, C. E. (2007). Inventário de personalidade NEO-Revisado. Manual técnico. São Paulo: Vetor Editora.

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