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Teste Não Verbal de Inteligência Geral
» Avaliação em Foco - Ferramentas em Foco
23/11/2012

 Por Fernanda Ottati

A avaliação psicológica no contexto do trânsito é uma prática consolidada no Brasil, tendo sua própria regulamentação de acordo com o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN). Embora essa prática seja bastante difundida, ainda é possível encontrar problemas relacionados a ela. Um destes problemas refere-se aos instrumentos psicológicos e sua aplicabilidade ao contexto, mais especificamente, a falta de estudos que comprovem que determinado teste possa ser utilizado para avaliação de motoristas de forma a contribuir com a sociedade (Silva & Alchieri, 2008; Silva & Alchieri, 2010)

Mais recentemente tem-se verificado uma preocupação maior com a qualidade dos testes psicológicos e sua adequação aos contextos e isso também se aplica ao contexto do trânsito. A avaliação da inteligência é uma das exigências nesse processo de obtenção (e em alguns casos de renovação/mudança de categoria) da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), porém, ainda verifica-se uma escassez de instrumentos desenvolvidos especificamente para isto, ou mesmo que apresentem, em seu manual, estudos com essa população.

Dois instrumentos que avaliam esse construto destacam-se atualmente pela proposição de normas específicas para o candidato a motorista, são eles o Teste Não Verbal de Inteligência Geral – BETA III e Teste de Inteligência –TI. Uma breve apresentação dos instrumentos será feita a seguir.

O Teste Não Verbal de Inteligência Geral – BETA III é um instrumento que foi desenvolvido nos Estados Unidos, ainda durante a Primeira Guerra Mundial, para avaliar as habilidades intelectuais de recrutas analfabetos. Ele é uma medida de habilidades intelectuais não verbais, que são avaliadas por meio de cinco subtestes, quais sejam, códigos, completar figuras, avaliação das diferenças, erros pictóricos e raciocínio matricial (Rabelo, Pacanaro, Leme, Ambiel & Alves, 2011).

A adaptação brasileira foi realizada somente em dois subtestes, Códigos e Raciocínio Matricial. Segundo os autores, futuramente os demais subtestes também deverão ser adaptados para o país. O subteste Códigos caracteriza-se como uma medida de velocidade de processamento e o Raciocínio Matricial avalia o processamento de informações visuais e raciocínio abstrato (Rabelo & cols., 2011).

O manual disponibiliza informações importantes sobre as teorias de inteligência, além de um capítulo sobre o desenvolvimento do BETA III e estudos estrangeiros sobre ele. O capítulo sobre os estudos psicométricos da amostra brasileira caracteriza a população estudada, as diferenças encontradas e todos os dados relacionados às evidências de validade e precisão. Ressalta-se que houve a preocupação em contemplar diversas faixas etárias, níveis de escolaridade e diferentes regiões do país. Ainda, há um capítulo com análises dos subtestes pela Teoria de Resposta ao item (TRI) – modelo de Rasch.

Há um capítulo que trata da aplicação do BETA III no contexto do trânsito, onde são apresentados os estudos psicométricos realizados com amostras específicas (candidatos a primeira habilitação e renovação da CNH), busca de evidências de validade baseadas na relação entre variáveis (uso do Teste de inteligência R-1 e teste de  Memória Visual de Trânsito). Para o subteste Raciocínio Matricial há tabelas para o tipo de habilitação (primeira ou renovação) e amostra geral, enquanto para o subteste Códigos há somente tabelas para população geral, o que é explicado pelas diferenças encontradas nos estudos psicométricos.

O Teste de Inteligência – TI é um instrumento desenvolvido no Brasil e tem como objetivo avaliar a capacidade de edução de relação, definida por Spearman como um dos elementos do fator g ou inteligência geral. O TI foi construído especificamente para o contexto do trânsito, sendo que a amostra de padronização e normatização foi composta por pessoas que buscavam a avaliação psicológica para obtenção da CNH (Rueda & Castro, 2012).

O manual fornece um importante resgate histórico sobre o desenvolvimento da  psicologia do trânsito, avaliação psicológica no contexto e teoria e avaliação da inteligência. Além disso, há diversos relatos de pesquisas que relacionaram o fator g a diversas variáveis, tais como sexo, idade, escolaridade e atenção.

O capítulo que apresenta as evidências de validade e precisão detalha os estudos realizados com amostras de dois estados, São Paulo e Bahia. A busca de evidências de validade foi realizada com base na estrutura interna do teste e relação entre o TI e outras medidas como idade, escolaridade e os testes R1 (inteligência) e AC (atenção). Ressalta-se que foram encontradas diferenças no desempenho no teste no que se refere ao estado, escolaridade e idade, que direcionaram a elaboração das tabelas normativas (Rueda & Castro, 2012)

Os dois instrumentos, Teste Não Verbal de Inteligência Geral – BETA III eTeste de Inteligência – TI, podem ser importantes ferramentas para uso no contexto do trânsito, especificamente pelo fato de serem instrumentos novos, com estudos recentemente desenvolvidos, já que grande parte dos instrumentos utilizados pelos profissionais da área é antiga e os candidatos já até reconhecem os estímulos dos testes. Além disso, ressalta-se a qualidade das informações trazidas nos manuais, que deveriam ser habitualmente lidos pelos profissionais.

 

Referências:

Rabelo, I. S.; Pacanaro, S. V.; Leme, I. F. A. S.; Ambiel, R. A. M. & Alves, G. A. S. (2011). Teste não verbal de inteligência geral – BETA III- Subtestes raciocínio matricial e códigos. Manual Técnico. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Rueda, F. J. M. & Castro, N. R. (2012). Teste de Inteligência – TI. Manual Técnico. São Paulo: Vetor Editora.

Silva, F. H. V. C. & Alchieri, J. C. (2008). Revisão das pesquisas brasileiras em avaliação psicológica de habilidades e inteligência de condutores. Estudos de Psicologia – Natal, 13(1),57-64.

Silva, F. H. V. C. & Alchieri, J. C. (2010). Validade preditiva de instrumentos psicológicos usados na avaliação psicológica de condutores. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 26(4),695-706.

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