Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica
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Como escolher um teste psicológico?
» Avaliação em Foco - News
18/03/2012

Por Fernando Pessotto

A avaliação psicológica é um processo composto por procedimentos confiáveis e válidos que resultam em dados psicológicos referentes a um indivíduo ou um grupo (Resolução CFP 12/2000). Ao longo do Ano Temático da Avaliação Psicológica, muito se debateu sobre esses procedimentos, sobretudo no que diz respeito à formação do estudante de psicologia eà elaboração/construção de testes psicológicos. Em meio a essas reflexões surge uma questão importante tratada nas entrelinhas, relativa aos critérios para seleção testes psicológicos, ou seja, frente a uma demanda de avaliação, quais critérios devem ser usados pelo psicólogo na escolha deste ou daquele teste? Estes critérios são norteados por informações científicas, subjetivas ou imediatistas?

Antes de iniciar esta reflexão é importante ressaltar que a escolha e consequente uso de um teste psicológico é um dos procedimentos a serem empregados num processo de avaliação psicológica, não se tratando do processo em si. Este, sempre que possível, deve ser composto também de outros métodos como entrevistas e observações, além dos próprios testes.

Especificamente sobre os eles, a resolução CFP nº 02/2003 que trata da elaboração e comercialização dos testes psicológicos aponta em seu 11º artigo que “as condições de uso dos instrumentos devem ser consideradas apenas para o contexto e propósitos para os quais os estudos empíricos indicaram resultados favoráveis”. Portanto, deve-se primeiramente, atentar aos testes com pareceres favoráveis disponíveis no SATEPSI, que sustenta a responsabilidade do profissional na escolha dos instrumentos (vide FAQ em www2.pol.org.br/satepsi/sistema/faqsatepsi.htm).  Neste sentido, será suficiente que o profissional escolha um ou mais instrumentos aprovados (www2.pol.org.br/satepsi/sistema/admin.cfm), sem que haja uma visão crítica por parte deste profissional?

Fica clara a necessidade de uma formação séria e coesa que possibilite ao psicólogo discernir qual construto deverá ser avaliado, em que contexto isso se dará e com qual finalidade. Para a tomada de decisão, o referencial teórico do profissional deve estar em constante atualização. Silva (2008) aponta para a importância em se ter conhecimento atualizado de pesquisas sobre o comportamento humano para que tenha condições mínimas para desenvolver um processo de avaliação psicológica. Em complemento a isso, Nunes (2011) ressalta que, na escolha de um teste, o psicólogo deve ainda identificar no manual informações acerca da população indicada para seu uso. O autor conclui ressaltando a importância da descrição nos manuais de bases evidenciais relacionadas ao contexto indicado e os possíveis propósitos de uso.

Os Textos Geradores do Ano Temático (CFP, 2011) também abordam este assunto de forma indireta, os autores salientam que a escolha de um teste psicológico permeia o processo de avaliação incluindo questões éticas e técnicas. Uma constante entre os autores é que a decisão pela escolha de determinado instrumento deve sempre levar em conta o construto avaliado e o contexto a ser realizada a avaliação. Mas isto realmente acontece? Sant´Anna e Bastos (2011) chamam a atenção da prática da avaliação psicológica no contexto do trânsito, em que psicólogos são submetidos à remuneração inadequada e condições limitantes, como a impossibilidade de escolha dos instrumentos a serem utilizados, sendo esta realizada por parâmetros econômicos e de ordem prática.

Questões econômicas que podem surgir quando um psicólogo verifica uma demanda no uso de um teste que não possui em seu acervo e, mesmo identificando ser o mais indicado, opta por utilizar aquele que possui, ou seja, aquele em que já investiu. As questões práticas são abordadas por Godoy e Noronha (2005) no contexto de seleção profissional, para o qual, salientam os autores, que alguns psicólogos não possuem qualificação técnica adequada, o que pode acarretar erro até mesmo na opção pelo instrumento a ser usado, ou ainda, na fase anterior a essa, em saber delimitar qual construto deve ser avaliado no processo.

Então, como garantir uma boa escolha? É difícil pensar em uma solução que não seja a participação e empenho direto dos psicólogos no compromisso com a profissão, a sociedade e a ética. Além disso, a reciclagem do profissional, isto é, a constante atualização a partir de trabalhos publicados na área, é o ponto de extrema importância, possibilitando um trabalho de excelência. Brito (2011) referindo-se na avaliação em contextos de instituições de justiça traz um possível caminho relatando que os fundamentos que devem nortear um processo de avaliação psicológica estão descritos nos vários documentos e resoluções emitidos pelo Conselho Federal de Psicologia, assim como no Código de Ética da profissão. Esses documentos orientam o fazer do psicólogo motivando-o a manter uma postura crítica também na escolha das técnicas e instrumentos a serem utilizados.

Mais informações sobre o assunto:

Sant’Anna, J. & Bastos, P. (2011). Relações Institucionais: a avaliação psicológica no contexto trânsito. Em Conselho Federal de Psicologia Ano da Avaliação Psicológica: textos geradores. 1ª Ed. Brasília, DF. CFP, p. 115 - 119.

Brito, L. M. T. (2011). Avaliação psicológica no contexto das instituições de justiça. Em Conselho Federal de Psicologia Ano da Avaliação Psicológica: textos geradores. 1ª Ed. Brasília, DF. CFP, p. 85 - 88.

Conselho Federal de Psicologia (CFP). (2000). Resolução no 12/2000 de 20 de dezembro. Brasília, DF: CFP.

Conselho Federal de Psicologia (2011). Ano da Avaliação Psicológica: textos geradores. 1ª Ed. Brasília, DF. CFP.

Godoy, S. L., & Noronha, A. P. P. (2005). Instrumentos Psicológicos Utilizados em Seleção Profissional. Revista do Departamento de Psicologia - UFF, 17, 1, 139-159.

Silva, V. G. (2008). Os testes psicológicos e suas práticas. Psicologia.com.pt. O portal dos psicólogos. www.algosobre.com.br/psicologia/os-testes-psicologicos-e-as-suas-praticas.html. Acesso em 25 de fevereiro de 2012.

Nunes, C. (2011). Importância da especificação dos contextos de aplicação e propósitos nos manuais de testes psicológicos. Em Conselho Federal de Psicologia Ano da Avaliação Psicológica: textos geradores. 1ª Ed. Brasília, DF. CFP, p. 59 - 63.

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