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Propriedades Psicométricas da Escala de Demandas Percebidas do Trabalho e da Família

18/08/2020

As mudanças sociais e econômicas nas últimas décadas transformaram o trabalho e a família em elementos centrais na vida de indivíduos adultos. Tal fato levou ao aumento de pesquisas sobre a interface trabalho-família, resultando em diferentes escalas para avaliar essa relação. Nesse cenário, Boyar, Carr, Mosley Jr. e Carson (2007) desenvolveram a Escala de Demandas Percebidas do Trabalho e da Família (EDPTF), composta por nove itens: cinco, para o fator demandas percebidas do trabalho, e quatro, para o fator demandas percebidas da família. As demandas percebidas do trabalho relacionam-se à percepção da intensidade da responsabilidade que o indivíduo apresenta em seu trabalho. Já as demandas percebidas da família referem-se à percepção quanto ao nível de responsabilidade que o indivíduo apresenta em sua família. Tais construtos são importantes antecedentes dos processos de conflito trabalho-família e de diversos resultados no trabalho e na família, sendo necessário estudos brasileiros que contribuam para o desenvolvimento e adaptação de instrumentos que auxiliem na avaliação dessas características na população. Desta forma, os objetivos desse trabalho foram: obter evidências iniciais de validade baseadas na estrutura interna e na invariância dos parâmetros dos itens do instrumento em termos de gênero, presença de filhos e ocupação ou não de cargo de chefia; verificar as relações com variáveis externas e identificar a validade discriminante da Escala de Demandas Percebidas do Trabalho e da Família, em uma amostra de trabalhadores brasileiros.

 

Highlights

  • A amostra foi composta por 507 trabalhadores (56,8% mulheres, média de idade=34,26; DP=10,02), provenientes de 25 estados brasileiros e do Distrito Federal. 59,4% da amostra possuía filhos, 55,4% não ocupava cargo de chefia e 47,5% eram casados.
  • Instrumentos utilizados: Escala de Demandas do Trabalho e da Família (Boyar et al., 2007) e Escala de Ambiguidade de Papéis (Rizzo et al., 1970).
  • A coleta de dados foi realizada em versão on-line.
  • A estrutura da Escala de Demandas Percebidas do Trabalho e da Família (EDPTF) foi verificada pela análise fatorial confirmatória, por meio da Modelagem de Equações Estruturais. Os resultados evidenciaram que o modelo de dois fatores correlacionados apresentou melhores índices de ajuste, em comparação ao modelo de um fator. As cargas fatoriais variaram de 0,69 a 0,92.
  • A consistência interna do instrumento foi calculada por meio do alfa de Cronbach, resultando em α=0,90 (trabalho) e α=0,92 (família).
  • Foi utilizado o coeficiente de Spearman para o cálculo das correlações do instrumento com os escores globais das medidas a ele relacionadas. Os dados obtidos evidenciaram que a correlação entre as demandas percebidas do trabalho e a sobrecarga no trabalho foi forte e positiva e que a correlação entre as demandas percebidas da família e a ambiguidade de papéis foi fraca e negativa.
  • A validade discriminante entre os fatores do instrumento e os construtos a eles correlacionados foi calculada por meio da Variância Média Extraída (VME). O valor da VME do modelo composto pelo fator demandas percebidas do trabalho e pela sobrecarga no trabalho (0,63) foi superior ao índice de correlação ao quadrado entre os construtos (ρ2=0,56). Além disso, o valor da VME do modelo composto pelo fator demandas percebidas da família e pela ambiguidade de papéis na família (0,65) foi superior ao índice de correlação ao quadrado entre as variáveis (ρ2=0,01).
  • Concluiu-se que o modelo no qual as demandas do trabalho e da família estruturam-se como fatores distintos é o mais adequado à descrição do instrumento.
  • A EDPTF apresentou evidências adequadas de validade baseada na estrutura interna, na invariância dos parâmetros dos itens e nas relações com outros construtos e discriminante.

 

Referência:

Gabardo-Martins, L. M. D., & Ferreira, M. C. (2019). Propriedades Psicométricas da Escala de Demandas Percebidas do Trabalho e da Família. Avaliação Psicológica, 18(3), 276-284. DOI: 10.15689/ap.2019.1803.16152.07

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